O empresário Ilgner de Oliveira Bueno Lima, pré-candidato a vereador no município de Amarante, e seu pai, Raimundo Isaías Lima, foram presos na manhã desta terça-feira (05), durante Operação Prodígio deflagrada pela Superintendência de Operações Integradas - SOI, em conjunto com as Diretorias de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Civil do Piauí. Os dois são acusados de integrar uma organização criminosa que aplicou golpe de R$ 5 milhões no Banco Santander somente no Piauí. Ao todo, 30 pessoas foram presas suspeitas de integrar o esquema de fraude bancária que causou prejuízo de R$ 19 milhões a instituições financeiras no Brasil.
De acordo com o delegado Anchieta Nery, diretor de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP), Ilgner Bueno e seu pai criaram empresas fantasmas para movimentar o dinheiro oriundo das fraudes cometidas pela organização criminosa. “Ele criou empresas fantasmas, algumas no nome do pai para movimentar o dinheiro dessa organização criminosa, desse esquema, inclusive, uma dessas empresas chegou a receber até meio milhão de reais no período da investigação”, pontuou o delegado Anchieta Nery
Ainda conforme o delegado, Ilgner se apresentava como pré-candidato a vereador de Amarante. “Ele morava em Teresina, mas estava se apresentando em Amarante como pretenso candidato a vereador. Ele é um cara que desde cedo se associou ao líder da associação criminosa e que tem raízes familiares em Amarante, inclusive, o pai dele foi preso nessa operação policial. Ele é um cidadão bastante conhecido na cidade”, afirmou Anchieta Nery
Esposa de um dos envolvidos denunciou o esquema
A esposa de um dos envolvidos na operação, que não teve seu nome informado, denunciou fraude do grupo após sofrer violência doméstica do marido.
Como funcionava
Segundo o delegado, os envolvidos na fraude, muitos com idades entre 18 e 21 anos, diziam aos bancos ter profissões que não condiziam com as idades. O objetivo era justificar a grande movimentação financeira, compatível com a renda de profissionais bem remunerados.
Um dos exemplos é de uma jovem de 19 anos que informou ser médica obstetra - a formação para a especialidade dura pelo menos três anos, além dos seis da graduação, ou seja, ela precisaria ter iniciado a graduação com 10 anos de idade.
"Eles sabiam que algumas profissões poderiam importar no score maior, como médico, engenheiro e atleta profissional", explicou.
Após uma série de desconfianças da gerência do banco, que iam do número de contas abertas até a idade de alguns clientes, a Polícia foi acionada. Os gerentes suspeitaram quando clientes, que se identificavam como médicos residentes, por exemplo, iam ao espaço físico do banco, tendo cerca de 18 anos.
"O pessoal que trabalha no sistema financeiro é um pessoal muito vivo, identifica uma fraude muito rápido. E quando esse pessoal que iniciava a vida, o relacionamento com o banco, no ambiente digital, ia tentar resolver algo presencial dentro de uma agência, aquilo despertava atenção. Então, um gerente chegou a abordar uma moça dessas", contou o delegado Anchieta Nery.
Fonte: Canal 121