A ex-secretária de Cultura de Barro Duro e suplente de vereadora, Aline Maciel Matos Alencar, denunciou ao Ministério Público do Estado do Piauí (MP-PI) que a prefeitura municipal é comandada pelo promotor de Justiça Elói Júnior, filho do prefeito Coronel Elói Pereira (PSD).
Em depoimento prestado no dia 27 de março deste ano ao promotor Ari Martins, Aline relatou que o promotor atuava com “plenos poderes” dentro da prefeitura e que chegou a afirmar que “o prefeito não consegue resolver mais nada”.
Interferência direta na gestão
Segundo a ex-secretária, durante os quatro anos em que esteve à frente da Cultura, tratava diretamente com Elói Júnior, que dava ordens e orientações sobre a pasta. Ela declarou que, embora tenha aceitado a situação no primeiro mandato, decidiu não compactuar mais com a prática no início do segundo.
“Passei quatro anos na administração, foram difíceis, mas consegui trabalhar. Porém, tudo era intermediado pelo filho do prefeito. No fim do ano passado já não aceitei mais certas atitudes e comecei a ter atritos”, disse.
Atritos e influência da esposa
Aline afirmou que chegou a cobrar autonomia, mas ouvia do promotor que as decisões não passavam pelo prefeito. “Quem resolvia era ele, não era o prefeito. Em nenhum momento o prefeito conversou com secretários ou vereadores”, relatou.
Ela também acusou a secretária de Finanças, Verônica Soares Leitão, esposa de Elói Júnior, de interferir em outras pastas. Como exemplo, citou a organização do Carnaval, que, segundo ela, foi controlada por Verônica e outro servidor.
“O prefeito já não consegue resolver nada”
Entre os episódios narrados, Aline disse que, ao reivindicar autonomia para administrar a pasta, ouviu do promotor que o pai “não consegue resolver mais nada”. Em outra ocasião, ele teria dito que “o que o prefeito fala de manhã, à tarde já não lembra mais”.
Ela também relatou que sua avó, Judite, foi barrada ao tentar falar com o prefeito em fevereiro deste ano e acabou sendo atendida por telefone por Elói Júnior.
Rompimento e denúncia
Questionada por que aceitou a situação por tanto tempo, Aline afirmou que permaneceu no cargo por necessidade, mas que decidiu romper. “Eu poderia continuar em silêncio ganhando salário, mas escolhi caminhar com a população. Reconheço que era ilegal, mas todos os secretários tinham que tratar diretamente com ele”, declarou.
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