Os governos dos Estados Unidos e do Irã anunciaram nesta quarta-feira (8) um acordo de cessar-fogo temporário de duas semanas, que prevê a reabertura imediata do Estreito de Ormuz. A trégua mediada pelo Paquistão encerra temporariamente uma escalada de violência que dura desde o final de fevereiro, embora ambas as nações tenham adotado um tom triunfalista ao confirmar o acordo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou o acerto como "uma vitória total e completa", assegurando que a disputa em torno do programa de enriquecimento de urânio iraniano será "perfeitamente resolvida". Ele havia exigido a abertura "total, imediata e segura" do Estreito de Ormuz — rota vital para o escoamento global de combustíveis. A confirmação da pausa ocorreu pouco antes do fim de um ultimato americano.
Do outro lado, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã declarou que "o inimigo sofreu uma derrota inegável, histórica e esmagadora". O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, confirmou a reabertura do estreito mediante o fim dos ataques americanos e israelenses ao país.
Negociações e o "Plano de Dez Pontos"
Para consolidar a paz, delegações de Washington e Teerã iniciarão conversas na próxima sexta-feira em Islamabad, no Paquistão. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, peça-chave na mediação, celebrou o cessar-fogo com "efeito imediato".
O Irã levou à mesa um plano de dez pontos. O documento exige o reconhecimento do programa de enriquecimento de urânio por parte dos EUA, a manutenção do controle iraniano sobre Ormuz, a assinatura de um princípio de não agressão e a suspensão imediata de todas as sanções econômicas que asfixiam a economia persa. As autoridades iranianas ressaltaram, no entanto, que a pausa "não significa o fim da guerra", podendo ser prorrogada por mútuo acordo.
Impactos no Mercado e Ceticismo Local
O reflexo econômico foi imediato. Após atingir picos de quase US$ 120 (R$ 619) durante a crise, os preços do barril de petróleo (WTI e Brent) despencaram para menos de US$ 100 (R$ 516). Bolsas asiáticas também reagiram com forte alta: Tóquio subiu 5,4% e Seul, 7%. Contudo, a Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA) alertou que a normalização do fornecimento de combustível levará meses, tornando inevitável o aumento nas passagens aéreas.
Em Teerã, a população recebe o anúncio com ressalvas. "Atacaram instalações nucleares e de mísseis para ganhar tempo, mas, na realidade, nada mudou para o povo do Irã", relatou à agência AFP um jovem corretor da bolsa local.
Israel mantém ofensiva no Líbano
Apesar do anúncio de trégua geral divulgado pelo Paquistão, a paz não se estende a todas as frentes. Israel declarou que o cessar-fogo não se aplica ao Líbano e emitiu novas ordens de evacuação para bairros no sul de Beirute, reduto do Hezbollah. O confronto direto entre forças israelenses e o grupo pró-Irã, iniciado em 2 de março, já deixou pelo menos 1.500 mortos, segundo autoridades libanesas.
A fragilidade da trégua também foi evidenciada por incidentes isolados nesta quarta-feira. Autoridades do Bahrein registraram um ataque de drone iraniano que deixou dois feridos. Além disso, o exército israelense relatou o lançamento de três rajadas de mísseis iranianos em direção ao seu território logo após o pronunciamento de Trump, colocando as tropas de prontidão máxima para "responder a qualquer violação".
O conflito principal teve início em 28 de fevereiro, marcado por uma ofensiva conjunta entre Israel e EUA que resultou no assassinato do líder supremo iraniano Ali Khamenei no primeiro dia da operação. No Iraque, milícias aliadas a Teerã anunciaram a suspensão de ataques contra alvos americanos durante as duas semanas de trégua.