O enviado especial para parcerias globais do governo de Donald Trump, Paolo Zampolli, gerou forte indignação após afirmar que as mulheres brasileiras são "programadas" para causar problemas. A declaração foi dada durante uma entrevista ao canal de televisão italiano RAI na última quinta-feira (23).
O comentário machista e xenofóbico foi a resposta de Zampolli às graves acusações de violência feitas por sua ex-companheira, a ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, com quem se relacionou por quase duas décadas.
Na tentativa de descredibilizar a ex-mulher, o diplomata apelou para generalizações sobre o povo brasileiro. "As mulheres brasileiras, mesmo as que estão aqui, são programadas para causar problemas", disse Zampolli à emissora.
Ele também associou o comportamento ao consumo de televisão: "Os brasileiros assistem a novelas e são todos um pouco assim. Você já ouviu dizer que as brasileiras enganam todo mundo, né? Não é como se fosse a primeira vez".
Amanda Ungaro acusa o empresário de agressão física, psicológica e sexual. A ex-modelo relatou que recebia socos no rosto ao recusar relações sexuais e apresentou fotografias de hematomas em seu corpo como prova perante as autoridades.
Além das agressões, Ungaro afirma que Zampolli utilizou sua influência e conexões dentro do governo de Donald Trump para tentar deportá-la dos Estados Unidos. O objetivo, segundo ela, seria impedi-la de ter acesso ao filho do casal. O enviado nega todas as acusações e alega ser vítima de uma campanha para arruinar sua imagem.
A entrevista também abordou as ligações de Zampolli com Jeffrey Epstein, o magnata americano condenado por tráfico e exploração sexual de menores, morto em 2019.
Confrontado sobre trocas de e-mails reveladas em documentos judiciais do caso Epstein, que mostravam os dois tentando comprar uma agência de modelos em um leilão, Zampolli se defendeu. O italiano, que é dono da ID Models, confirmou que Epstein o procurou para o negócio, mas ressaltou que a compra não foi concretizada.
Ele negou qualquer participação nos crimes sexuais do magnata e afirmou que Epstein usava os bastidores da indústria da moda como fachada para encobrir os abusos que cometia contra menores de idade.