A Polícia Civil do Piauí, por meio do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), detalhou a operação que prendeu José Cleuton da Silva, acusado de enganar mulheres, incluindo menores de idade, para gravar cenas íntimas sem consentimento e comercializar o material na internet. O caso veio à tona após pelo menos sete vítimas procurarem a delegacia desesperadas ao descobrirem que seus vídeos circulavam nacionalmente. Em alguns casos, pessoas de outros estados entraram em contato com elas após encontrarem o conteúdo online.
As investigações apontam que o suspeito atraía as vítimas oferecendo pagamento para participarem de supostas gravações. Durante os encontros, no entanto, ele escondia equipamentos de filmagem em pastas com pequenos orifícios, registrando as cenas sem que as mulheres percebessem. Para dar aparência de legitimidade ao crime, o investigado se apresentava como integrante de uma produtora de conteúdo adulto, criando até peças publicitárias para divulgar os flagrantes.
Após captar as imagens, o material era vendido em grupos e canais do Telegram. O homem utilizava ferramentas automatizadas, como robôs (bots), para ampliar o alcance e comercializar os vídeos por valores entre R$ 75 e R$ 100. O esquema foi descoberto por uma das vítimas após ser alertada por uma amiga de outro estado. Segundo o delegado Humberto Mácola, o Telegram colaborou com as autoridades e atendeu rapidamente ao pedido de remoção das contas e dos vídeos identificados, além de buscar mecanismos para impedir republicações.
Durante o cumprimento do mandado de prisão, os agentes encontraram também uma grande quantidade de bebidas alcoólicas, acompanhadas de lacres e tampas de marcas famosas de uísque. O material levantou suspeita de adulteração e falsificação e foi encaminhado para perícia técnica.
O DRCC fez um alerta importante: pessoas que compraram ou armazenaram os vídeos no celular ou computador também podem ser responsabilizadas criminalmente, com punições mais severas nos casos que envolvem menores de idade, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). José Cleuton responderá pelo ECA e pelo crime de divulgação de cena íntima sem consentimento. A polícia reforça a orientação para que usuários tenham cautela em encontros iniciados pela internet e sempre denunciem casos de exposição não autorizada.