A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (2), a segunda fase da Operação Conectados. O alvo principal foi, mais uma vez, um escritório de contabilidade localizado na Rua Honório Parentes, na zona Leste de Teresina (PI). Ao todo, os agentes cumprem 12 mandados de busca e apreensão na capital e na cidade de Oeiras, com o objetivo de desarticular um esquema de fraude em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro.
De acordo com as investigações, que contam com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público Federal (MPF), o grupo criminoso firmava contratos de assessoria com prefeituras piauienses. A partir dessa posição, os suspeitos obtinham informações privilegiadas para manipular processos licitatórios e favorecer empresas ligadas ao esquema, ocultando os verdadeiros beneficiários dos recursos públicos.
Durante as diligências desta terça-feira, as equipes deixaram o prédio levando malotes com documentos, aparelhos eletrônicos, registros financeiros e valores em espécie sem origem lícita comprovada.
A PF informou que a nova ofensiva foi motivada pela análise dos materiais apreendidos na primeira fase da operação. Os dados revelaram que as irregularidades iam além dos contratos inicialmente investigados, apontando para a atuação de um grupo criminoso altamente estruturado. O objetivo agora é definir a função de cada membro, rastrear o caminho do dinheiro e frear a continuidade dos crimes.
Histórico milionário e defesas
O escritório alvo das buscas tem como sócio o ex-vereador e atual superintendente de Desenvolvimento Norte da Prefeitura de Teresina, Alan Brandão. O local já havia sido vasculhado na primeira fase da operação, em maio de 2024, quando a PF encontrou R$ 1,6 milhão em espécie guardados no prédio.
Na época da primeira apreensão, Brandão se defendeu alegando que a quantia era fruto de 10 anos de trabalho e representava o patrimônio de sua família. Sobre a ação desta terça-feira, a assessoria do superintendente informou que a operação atual não tem ligação com ele e que um posicionamento oficial será divulgado em breve.
Os investigados no esquema poderão responder na Justiça pelos crimes de associação criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, além de outros delitos que possam surgir com o aprofundamento das apurações.