Um caseiro foi resgatado por equipes da Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) de uma propriedade rural no município de José de Freitas, a 48 km de Teresina. O homem foi submetido a condições análogas à escravidão e trabalhou cerca de cinco anos sem receber salários. Em depoimento às autoridades, a vítima desabafou sobre o período: "Caí numa cilada".
De acordo com a fiscalização, o trabalhador era responsável pela manutenção integral do local, executando tarefas como ordenha, manejo de animais, alimentação de peixes, conservação da propriedade e produção de silagem.
Falsa promessa e restrição de liberdade
A investigação apontou que o caseiro, que é analfabeto e não possui conta bancária, aceitou o serviço após o proprietário prometer construir uma nova casa para ele. A antiga moradia em que vivia chegou a ser demolida, mas, após cinco anos, a nova construção continuava inacabada. A expectativa de receber o imóvel mantinha o trabalhador preso à rotina sem pagamento.
O relatório também constatou a restrição de liberdade e o isolamento social da vítima. O homem precisava estar na propriedade em tempo integral para evitar invasões e furtos, sendo desencorajado a receber visitas de amigos ou familiares.
Condições precárias de habitação
No local, o caseiro dormia em uma rede instalada em espaço precário, usava recipientes com água para o banho e guardava seus pertences em uma caixa de isopor por ausência de móveis. Além disso, realizava atividades com máquinas desgastadas, sem proteção de segurança nem Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).
A operação calculou que as dívidas trabalhistas acumuladas pelo empregador ultrapassam R$ 170 mil.