Novos relatos vieram à tona no caso da clínica de estética investigada pela Polícia Civil em Teresina por suspeita de comercialização irregular de substâncias para emagrecimento. De acordo com a equipe jurídica que representa um grupo de pacientes, diversas mulheres apresentaram complicações severas de saúde — como surtos de hipertensão, visão turva, perda de consciência e picos de glicemia que chegaram a atingir 378 mg/dL — após a aplicação de produtos injetáveis.
A investigação ganhou destaque após o cumprimento de mandados de busca e apreensão em um condomínio na zona Leste da capital piauiense. Na ocasião, policiais apreenderam ampolas, seringas e caixas térmicas contendo medicamentos de procedência incerta, resultando na condução da proprietária do estabelecimento para prestar depoimento na Secretaria de Segurança Pública (SSP-PI).
A defesa das vítimas contestou categoricamente a versão apresentada pelos representantes da clínica, que tentaram classificar o episódio como um mero “desentendimento comercial”. Os advogados das pacientes sustentam que as substâncias eram administradas sem qualquer especificação de fabricante, lote, prazo de validade ou bula, o que pode configurar crimes como estelionato, falsidade ideológica, exercício ilegal da medicina e lesão contra a saúde pública.
O material recolhido pelas autoridades policiais permanece sob análise pericial para a identificação da composição química exata e verificação da regularidade sanitária dos insumos. As apurações prosseguem para determinar a responsabilidade dos envolvidos e a extensão das atividades do estabelecimento.