A Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) terá, a partir de 2027, a maior predominância de parlamentares alinhados ao governador Rafael Fonteles (PT) entre as últimas cinco eleições estaduais. Dos 30 deputados eleitos no pleito de 4 de outubro, 27 integraram chapas que apoiaram a reeleição do petista, enquanto três estiveram no campo do candidato da oposição, Joel Rodrigues (PP).
O resultado consolida uma redução gradual da representação oposicionista na Casa ao longo dos últimos ciclos eleitorais. Em 2010, 14 deputados eleitos não apoiavam o governador escolhido nas urnas. Em 2014, esse número chegou a dez. Nas eleições de 2018 e 2022, foram eleitos seis e sete parlamentares de oposição, respectivamente.
A avaliação da cientista política da Alepi, Laís Araújo, é de que os números apontam para o enfraquecimento progressivo da oposição no Legislativo estadual, movimento que também aparece nas mudanças de força entre os partidos.
PP perde espaço e PSD avança
Uma das principais alterações na composição partidária foi a redução da bancada do Progressistas (PP), que passou de sete deputados eleitos em 2022 para três em 2026.
Na direção contrária, o PSD ampliou sua presença na Assembleia. A sigla não elegeu deputados estaduais em 2022, mas conquistou cinco vagas no pleito deste ano, após atrair parlamentares durante a janela partidária de março.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, também ampliou sua bancada, passando de 12 para 14 deputados. O MDB, por sua vez, caiu de nove para oito cadeiras.
Com cinco parlamentares eleitos, o PSD passa a integrar de forma expressiva a composição da base governista, reforçando a maioria ligada ao Executivo estadual.
Mudanças terão reflexos nas comissões
A nova configuração da Alepi também deverá influenciar a distribuição de espaços políticos e o funcionamento das comissões técnicas a partir da próxima legislatura.
Pelas regras regimentais, a composição desses colegiados e a escolha de suas presidências devem observar a proporcionalidade das bancadas. Dessa forma, o resultado das urnas terá efeitos não apenas sobre a relação entre o Legislativo e o governo, mas também sobre a condução dos debates e a tramitação de propostas na Assembleia.
Outro aspecto destacado no levantamento é a concentração da representação parlamentar em um número menor de partidos. Solidariedade e Republicanos deixaram de ter bancadas na Casa após as mudanças partidárias ocorridas em 2026.
O cenário que se desenha para 2027, portanto, combina uma ampla maioria governista com mudanças na distribuição de forças entre as siglas, reduzindo o espaço numérico da oposição no Parlamento estadual.
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