A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) entra em uma fase em que cada voto pode fazer diferença. Com pesquisas nacionais apontando empate técnico, a atenção das campanhas se volta não apenas aos eleitores indecisos, mas também àqueles que ainda podem deixar de comparecer às urnas.
No Piauí, onde Lula conta historicamente com uma base eleitoral expressiva, o desafio político vai além de conquistar novos votos. A prioridade para o campo governista é transformar a preferência pelo presidente em participação efetiva no segundo turno.
O estado possui 2.708.160 eleitores aptos a votar, distribuídos pelos 224 municípios. Teresina concentra 592.180 eleitores, seguida por Parnaíba, com 118.062, Picos, com 54.453, Piripiri, com 53.256, e Floriano, com 45.071, segundo dados da Justiça Eleitoral divulgados pelo Conecta Piauí.
A capital piauiense reúne aproximadamente 22% do eleitorado estadual. Isso significa que mudanças relativamente pequenas na participação dos eleitores de Teresina podem representar milhares de votos na contagem final.
No interior, o cenário exige outra estratégia. Municípios menores, embora tenham menos eleitores individualmente, representam uma parcela significativa do eleitorado quando considerados em conjunto.
É nesse contexto que prefeitos, vereadores, deputados e lideranças municipais passam a ter papel importante na mobilização política. A capacidade de estimular o comparecimento pode ser tão relevante quanto a tentativa de convencer quem ainda não definiu o voto.
Entretanto, o tamanho do eleitorado de uma cidade não significa necessariamente que ela concentre mais indecisos. Para identificar esses municípios, seria necessário um levantamento específico sobre a intenção de voto em cada localidade.
No Piauí, o governador Rafael Fonteles (PT) aparece como uma das principais lideranças responsáveis pela articulação política em favor de Lula.
A estrutura governista, formada por partidos aliados e lideranças com presença nos municípios, representa uma vantagem organizacional para a campanha petista. Mas essa capilaridade não garante, por si só, maior comparecimento às urnas.
Com a disputa estadual já encerrada, o desafio passa a ser manter prefeitos, parlamentares e militantes mobilizados exclusivamente para a eleição presidencial.
O cálculo é simples: em uma eleição nacional apertada, ampliar a vantagem de Lula em estados onde possui maior apoio pode ajudar a compensar resultados desfavoráveis em outras regiões do país.
A pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (21) apresentou Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto e Lula com 44%, configurando empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
O levantamento também mostrou que, na modalidade espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, ambos registraram 40%. Outros 14% não indicaram espontaneamente um candidato. Esse percentual, porém, não deve ser interpretado integralmente como eleitorado sem decisão, já que a pergunta espontânea mede também a lembrança dos nomes.
A proximidade entre os candidatos reforça a importância da mobilização nos últimos dias de campanha, especialmente nas regiões onde cada um possui maior força eleitoral.
Para Lula, o Piauí representa a oportunidade de ampliar sua vantagem eleitoral em um território tradicionalmente favorável ao PT. Para Flávio Bolsonaro, reduzir essa diferença também pode representar um ganho importante no resultado nacional.
A reta final, portanto, não se resume à conquista dos indecisos. Passa também pela capacidade das campanhas de dialogar com eleitores desmotivados, recuperar ausentes do primeiro turno e evitar que apoiadores deixem de votar.
A análise é que o Piauí pode não definir sozinho o resultado da eleição presidencial, mas a diferença de votos produzida no estado poderá ter peso em uma disputa nacional equilibrada.
A eleição de domingo colocará à prova não apenas a força política dos candidatos, mas também a capacidade de suas lideranças regionais de transformar apoio em votos efetivos.