Eleições 2026 Reta final
Eleições 2026: O erro pode pesar mais que o acerto
No domingo (25), o eleitor dará a palavra final
23/10/2026 17h21
Por: Alessandra Fonseca
Reprodução

A eleição presidencial chega ao seu momento decisivo sob uma lógica que costuma prevalecer nas disputas mais apertadas: quando a capacidade de expansão eleitoral encontra seus limites, a administração dos próprios erros passa a ter peso tão importante quanto a conquista de novos votos.

O segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) expôs duas campanhas empenhadas em ocupar as ruas, dominar as redes sociais e explorar as fragilidades do adversário. Nesse ambiente, o confronto político ganhou mais espaço do que o debate sobre os desafios estruturais do país.

As promessas se multiplicaram, mas nem sempre acompanhadas de respostas sobre sua viabilidade. Entre a retórica eleitoral e a realidade do exercício do poder existe uma distância considerável, especialmente diante das restrições fiscais, dos limites institucionais e da complexidade da administração pública brasileira.

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A estratégia de Lula está concentrada na capacidade de mobilização e na ampliação de sua base eleitoral para reverter o resultado do primeiro turno. Flávio Bolsonaro, por outro lado, busca transformar a vantagem inicial e os apoios conquistados na segunda etapa da campanha em uma maioria definitiva nas urnas.

São movimentos distintos, mas submetidos ao mesmo desafio: convencer sem afastar, avançar sem perder terreno e evitar que um episódio de campanha comprometa semanas de articulação política.

Há, ainda, um componente decisivo nessa equação. Em eleições polarizadas, o voto nem sempre representa adesão integral a um projeto de governo. Muitas vezes, expressa a rejeição ao campo adversário. É nesse espaço, entre a identificação política e o temor da vitória do outro, que se concentra parte importante da disputa.

A poucos dias da votação, já não se trata apenas de quem apresenta o discurso mais convincente, mas de quem consegue converter sua estratégia em resultado eleitoral.

No domingo (25), o eleitor dará a palavra final. Até lá, Lula e Flávio Bolsonaro disputam mais do que votos: disputam a capacidade de transformar força política em maioria.

Porque, numa eleição decidida nos detalhes, nem sempre vence quem mais acerta. Às vezes, vence quem menos erra.