A derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026 marca uma mudança na trajetória política de Flávio Bolsonaro (PL). Após 24 anos ocupando cargos eletivos, o senador ficará sem mandato a partir de 2027.
O parlamentar encerra sua passagem pelo Senado em dezembro deste ano, depois de uma carreira iniciada em 2003, quando assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), aos 21 anos.
Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio ingressou na política quando o pai ainda exercia o mandato de deputado federal. Na Alerj, conquistou quatro mandatos consecutivos. Em 2016, tentou chegar à Prefeitura do Rio de Janeiro, mas terminou a disputa na quarta colocação.
A trajetória do senador também foi marcada por investigações. Uma delas apurou suspeitas de um esquema conhecido como rachadinha, envolvendo a suposta devolução de parte dos salários de funcionários de seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa.
Em maio de 2022, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro rejeitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público, após decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) que anularam provas utilizadas no caso.
Mesmo fora do Congresso Nacional, Flávio poderá continuar submetido à jurisdição do STF em investigações relacionadas ao exercício de suas funções parlamentares. Entre os casos mencionados está a apuração sobre o financiamento do filme Dark Horse.
O entendimento firmado pelo Supremo em março de 2025 estabelece que o foro por prerrogativa de função pode ser mantido após o fim do mandato, desde que os supostos crimes tenham ocorrido durante o exercício do cargo e estejam relacionados às atividades desempenhadas.
Derrota histórica nas urnas
Além de interromper a sequência de mandatos, o resultado das eleições presidenciais colocou Flávio Bolsonaro em uma situação inédita desde a redemocratização do país.
O senador se tornou o primeiro candidato à Presidência da República a terminar o primeiro turno na liderança e ser derrotado na votação decisiva.
Com a reeleição de Lula para um quarto mandato presidencial, Flávio deixa o Senado sem conquistar o Palácio do Planalto, encerrando um ciclo de mais de duas décadas de presença contínua em cargos eletivos.
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