A eleição terminou, mas uma nova movimentação política já começa a ganhar espaço no Piauí. A possibilidade de o governador reeleito Rafael Fonteles (PT) assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato do presidente Lula colocou o vice-governador eleito Washington Bandeira (PT) no centro das atenções.
Nesta segunda-feira (26), Washington afirmou estar preparado para assumir o comando do Estado, caso Rafael deixe o Palácio de Karnak para integrar o governo federal. Apesar da disposição, tratou o assunto com cautela e ressaltou que ainda não existe uma definição.
“Eu estou pronto para todas as missões que o povo do Piauí me confiar”, declarou.
A declaração tem peso político
Washington não se apresenta como candidato à sucessão, mas deixa claro que está disposto a assumir uma responsabilidade maior. E não se trata de qualquer cenário. Rafael acaba de conquistar uma reeleição expressiva e ganhou projeção nacional após participar diretamente da campanha de Lula no segundo turno.
O nome do governador passou a circular entre os possíveis integrantes da equipe econômica do presidente. A experiência à frente da Secretaria da Fazenda do Piauí e a relação de confiança com Lula ajudam a explicar a movimentação.
Há, no entanto, um detalhe importante nessa equação. O próprio Rafael afirmou, em entrevista à GloboNews, que, até então, não conversou com Lula sobre qualquer cargo e que pretende permanecer no governo do Piauí.
Não é apenas a escolha de um ministro. Uma eventual saída de Rafael anteciparia uma mudança no comando do Estado e colocaria Washington à frente de uma administração que recebeu ampla aprovação nas urnas.
A proximidade política e pessoal entre os dois favorece a perspectiva de continuidade administrativa. Mas assumir o governo também significaria construir uma identidade própria, administrar expectativas e consolidar liderança diante da base aliada.
A questão, portanto, não é apenas saber se Washington Bandeira está preparado para governar. É saber se Rafael estaria disposto a abrir mão de um mandato recém-renovado para ocupar um espaço de destaque em Brasília.
Por enquanto, o governador diz que fica. Washington afirma que está pronto. E Lula ainda não anunciou qualquer decisão.
Nenhuma peça mudou de lugar. Mas a possibilidade de movimentação já é suficiente para colocar a sucessão estadual no centro das conversas.