A Operação Carbono Oculto 86, deflagrada, nessa quartra-feira (5), pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), em conjunto com o Ministério Público do Estado (MPPI), por meio do Gaeco, e o Instituto de Metrologia do Piauí (IMePI), desarticulou um amplo esquema de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e adulteração de combustíveis com ramificações em diversas cidades do estado. A investigação revelou a infiltração de braços financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis piauiense.
A ação foi deflagrada simultaneamente em vários municípios do Piauí e contou com apoio da Polícia Civil, Receita Federal, e do Ministério Público de São Paulo, responsável pela primeira fase da operação. No Piauí, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, interdição de postos de combustíveis, e bloqueio judicial de bens e contas bancárias.
Fases da Operação
A Operação Carbono Oculto 86 é uma extensão de investigações iniciadas em São Paulo, que identificaram o uso de empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para movimentar valores oriundos de atividades ilícitas ligadas ao PCC.
No Piauí, a operação avançou sobre postos e distribuidoras suspeitas de operar com combustível adulterado, fraudar medições de bombas e utilizar o setor para lavagem de dinheiro em larga escala.
A segunda fase, deflagrada esta semana, teve como foco o cumprimento de medidas cautelares e o sequestro de bens de empresas envolvidas no esquema. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 348,7 milhões pertencentes a 71 empresas investigadas.
Postos interditados e cidades atingidas
No Piauí, diversos postos de combustíveis foram interditados, especialmente nas cidades de Teresina, Lagoa do Piauí, Demerval Lobão, Miguel Leão, Altos, Picos, Canto do Buriti, Dom Inocêncio, Uruçuí, Parnaíba e São João da Fronteira.
Os estabelecimentos são apontados como fachadas de empresas utilizadas para movimentar recursos ilícitos e promover concorrência desleal por meio de fraudes fiscais e adulteração de combustíveis.
As fiscalizações contaram com o apoio técnico do IMePI, responsável pela verificação das bombas e equipamentos utilizados pelos postos, garantindo a coleta de provas sobre possíveis irregularidades.
Investigados e estrutura do esquema
Entre os principais investigados estão empresários e representantes do setor de combustíveis no estado, apontados como responsáveis por administrar empresas vinculadas ao grupo criminoso.
A investigação cita nomes como Haran Santhiago Girão Sampaio, Danillo Coelho de Sousa, Salatiel Soido de Araújo, Denis Alexandre Jotesso Villani e João Revoredo Mendes Cabral Filho, ligados a diferentes núcleos do esquema.
Empresas como HD Petróleo Ltda e Pima Energia Participações Ltda foram identificadas como integrantes da rede de lavagem e ocultação patrimonial. Segundo o MPPI, o grupo utilizava documentos falsos e operações simuladas para mascarar a origem dos recursos, que seriam provenientes do tráfico e de outras atividades criminosas do PCC.
Repercussão e impacto
A operação gerou grande repercussão em todo o estado, atingindo um dos setores econômicos mais sensíveis e estratégicos: o de combustíveis.
Autoridades destacaram que o esquema afetava diretamente a concorrência e a arrecadação fiscal, além de prejudicar consumidores com práticas de adulteração e manipulação de bombas de abastecimento.
O secretário de Segurança Pública, delegado Chico Lucas, afirmou que a operação é um “golpe duro contra o braço financeiro do crime organizado no Piauí” e ressaltou que novas fases poderão ocorrer conforme o avanço das investigações.
Apesar das evidências reunidas, o pedido de prisão temporária de investigados foi indeferido pela Justiça, e o caso segue em sigilo judicial enquanto os órgãos de controle continuam com as diligências.
Diligências realizadas
As equipes policiais e periciais cumpriram mandados de busca e apreensão em escritórios, residências e sedes de empresas; realizaram bloqueios bancários; e sequestraram bens de alto valor, como veículos e imóveis.
Também foram colhidos documentos contábeis, contratos e registros financeiros que comprovam a movimentação de milhões de reais em transações suspeitas.
Contexto nacional da operação
A Operação Carbono Oculto teve início em São Paulo e se expandiu para o Norte e Nordeste do país, atingindo, além do Piauí, os estados do Maranhão e Tocantins.
Ao todo, 49 postos de combustíveis foram interditados nos três estados. As investigações apontam que o esquema movimentou mais de R$ 5 bilhões em todo o país, por meio de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e fraudes fiscais.
O Piauí tornou-se um dos principais alvos da nova fase da operação por concentrar núcleos empresariais e financeiros usados pelo PCC para lavar dinheiro através da revenda e distribuição de combustíveis.
Conclusão
A Operação Carbono Oculto 86 expõe a infiltração do crime organizado no mercado de combustíveis piauiense, demonstrando como empresas aparentemente regulares foram usadas para movimentar recursos ilícitos em larga escala.
O trabalho integrado entre o MPPI, SSP-PI, Polícia Civil, IMePI e Receita Federal representa um marco no combate à criminalidade econômica no estado e reforça o compromisso das instituições em proteger o mercado e o consumidor.
Com novas etapas em andamento, as investigações devem aprofundar a identificação de empresas de fachada e operadores financeiros ligados ao PCC, fortalecendo a ofensiva contra o crime organizado no Piauí e em outros estados.
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